Crise já afeta compradores e criadores de cavalos crioulos

Cavalo crioulo – Crédito: Antônio Costa
Cavalo crioulo – Crédito: Antônio Costa
Mesmo atingida pela crise financeira no país. a raça crioula teve destaque na Expointer 2015. Fora das grandes feiras, algumas cabanhas tiveram redução de faturamento.

Por Jéssica Fontoura Rodrigues
Jornalismo Econômico / Noite

Como todos os setores da economia foram afetados pela crise financeira do país, a comercialização de cavalos da raça Crioula não ficou atrás. Para criadores e compradores, nesse momento conturbado financeiramente, uma readequação do mercado faz-se necessária, mas nem assim os criadores pretendem desacelerar os negócios, pelo contrário, é neste momento que não deixam de investir, potencializar, serem criativos e superarem os desafios. Afinal, Cavalo Crioulo é tradição.

Pedro Almeida, gerente financeiro da Parceria Leilões, empresa que há um ano dedica-se a organizar leilões de cavalos da raça Crioula, diz que não sentiu retração na venda do cavalo, já que o foco dos compradores dá-se na aquisição de animais de qualidade genética e multifuncionais.

“O cavalo Crioulo é um cavalo plural, diversos criadores e domadores colocaram esse animal no topo. Temos um cavalo símbolo do Rio Grande. Sem contar que os compradores que adquirem o animal visando lucrar com ele e não apenas para hobby dificilmente deixam de investir pela crise, pois o cavalo tendo qualidade nunca perde seu valor”, explica Pedro.

A confirmação de que na área de investidores não mudou nada e até subiram as vendas são os dados publicados pela Expointer – Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários que ocorre anualmente na cidade de Esteio/RS. O evento que ultrapassou um público de 500 mil pessoas teve queda de 37% nos negócios na edição deste ano. Apenas a venda de cavalos foi totalmente ao contrário do que era esperado, contabilizando R$ 15,38 milhões, 24% acima da exposição anterior. Somente a raça equina símbolo do Rio Grande do Sul teve um retorno de mais de R$ 12 milhões.

Em entrevista a Zero Hora, José Laitano, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC),afirmou que o consumo no ramo Crioulo só está crescendo. “A venda de cavalos Crioulos está crescendo para todo o país”, disse Laitano.

Já o criador e proprietário da Cabanha do 38, Clovis Gonçalves, que vende seus animais tanto para compradores por ocasião quanto para investidores, foi um dos que sentiu a crise neste ano. “No meu entendimento não se trata mais de uma crise e sim de recessão, que assusta a comercialização negativa do cavalo, uma vez que os possíveis compradores estão afetados. Considerando que a manutenção de um cavalo hoje é em torno de R$ 1.200,00, certamente quando o comprador perde o emprego ou encontra dificuldade, o mesmo se desfaz do animal”, conta o criador.

A responsável pelo setor de cobrança da Cabanha do 38, Allana Colossi Gonçalves, conta que o maior número de devoluções de cavalos neste ano foi por falta de condições financeiras. “O ano de 2015 foi realmente assustador para a área financeira da Cabanha, ligava diariamente para fazer as cobranças dos nossos compradores e muitos não tinham mesmo como efetuar o pagamento, abrindo mão do cavalo. Fizemos aproximadamente 20 recolhimentos de animais”, afirmou Allana.

O Cavalo Crioulo

Em 1932, através da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), se iniciou a criação da raça crioula, tendo em vista a missão de preservar, selecionar e difundir o cavalo Crioulo, raça que é conhecida como nobre e valorosa, em todo o país.

A imagem do Cavalo Crioulo transmite rusticidade e resistência e é considerada um dos símbolos do Rio Grande do Sul. Atravessou vários estágios no ponto genético, estrutural e comercial e com sua aptidão vaqueira e força física fez com que a raça se sobressaísse como uma das principais do mundo.

Segundo Clovis Gonçalves, o cavalo Crioulo fascina o ser humano, remete a simbologia de conquistas e tem um bom retorno financeiro. “Nós criamos cavalos primeiramente por que nos fascina, pela paixão, pelo que representa pra nós gaúchos e pelo valor econômico que este animal traz para a fazenda”, destaca o criador.

Apesar da raça gerar dinheiro e lucros, é necessário investimento para valorizar os animais. Isto inclui alimentação entre ração, feno, serragem assim como a preparação para o desenvolvimento morfológico e funcional. Portanto, o criador acaba gastando antes de obter algum retorno significativo.

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