O esquecido Parque Industrial da Restinga

Parque Industrial da Restinga um dos maiores projetos de desenvolvimento economico criados em Porto Alegre em 1995 - Crédito: PMPA / Divulgação
Parque Industrial da Restinga um dos maiores projetos de desenvolvimento economico criados em Porto Alegre em 1995 – Crédito: PMPA / Divulgação
Um dos maiores projetos de desenvolvimento econômico já criados em Porto Alegre, o Parque Industrial da Restinga sofre com problemas de infra-estrutura. Impasses que há tempos não conseguem ser resolvidos.

Por Francine Silveira
Jornalismo Econômico/ Noite

Em 1995, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre através do já extinto projeto “Cresce Porto Alegre” lançou um empreendimento na tentativa de alavancar o plano de desenvolvimento econômico da cidade. A criação de um pólo industrial na Restinga, um dos maiores bairros da capital gaúcha, foi visto, na época, como uma oportunidade de crescimento no setor industrial. O local foi destinado para abrigar pequenas e médias empresas que pudessem contribuir com a economia da região.

Atualmente o parque conta com 39 empresas instaladas gerando, em média, 600 empregos diretos nas áreas de fertilizantes, móveis, cilindros hidráulicos, artigos farmacêuticos, pré-moldados eletrônicos, materiais para construção civil e obras de saneamento, higiene e perfumaria.

Também fazem parte do parque dois grandes empreendimentos: o Hospital da Restinga e Extremo Sul, uma parceria entre Prefeitura Municipal de Porto Alegre e Governo Federal, inaugurado em 2014, depois de 50 anos de espera pela população dos bairros Restinga, Lami, Ponta Grossa, Lajeado, Belém Novo e Chapéu do Sol; e também mais uma sede do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – campus Restinga, construído em 2012 para receber mais de mil alunos da região.

Após 20 anos da sua inauguração, o parque ainda é carente em infra-estrutura. A maioria das empresas instaladas no local reclama de diversos problemas como conexão com internet, iluminação, segurança, sinalização e lotes abandonados que chegam a ser invadidos por moradores do bairro.

Um dos problemas mais reivindicados pelos empresários é a questão da má qualidade do serviço de internet que não passa de 2 mega bites por estabelecimento.

A operadora Oi é a única empresa responsável pelo fornecimento de internet e rede de telefonia no local e segundo os empresários, nem faz questão de promover melhorias. “Já chegamos a ficar mais de 20 dias sem o serviço. Até para imprimir notas fiscais é necessário uma internet com velocidade considerável. Qual empresa consegue trabalhar nessas condições?”, questionou o diretor do Laboratório Lebon, Pedro Rosito, 43 anos. O Lebon é um laboratório de produtos químicos e farmacêuticos, e foi uma das primeiras empresas a se instalar no parque no ano de 1999.

Rosito afirma brigar incansavelmente há 15 anos por melhorias no parque industrial. As empresas ficam à mercê de apenas uma operadora, pois com exceção da empresa atual, não há quem forneça esse tipo de serviço naquela região. O diretor da Lebon disse ainda que em pleno século XXI não tem como uma empresa se manter com um serviço tão precário.

As empresas podem recorrer a planos corporativos para obter mais velocidade, um plano de internet via fibra óptica, por exemplo, que é considerada pelas empresas de telefonia como sendo uma internet de última geração. Porém o valor acaba se tornando inviável, pois chega a custar mais de mil reais por mês, valor alto para uma empresa de pequeno ou médio porte se manter.

“Esse problema não é de hoje”, reforça o responsável técnico da empresa Embapel Reciclagem, Juliano José Moser, 35 anos, se referindo aos históricos problemas com as linhas telefônicas e internet do parque.

Contatados por telefone e e-mail a operadora Oi não respondeu as solicitações de entrevista.

Descaso da prefeitura

O local que deveria servir de exemplo de geração de renda e oportunidade de emprego para os moradores do bairro deu lugar a um complexo praticamente abandonado. Não há placas de sinalização, falta lâmpadas nos postes e segurança somente privada. Muitos lotes que ainda não foram vendidos, pois não há lançamento de novos editais de licitação há mais de três anos, estão cobertos pela vegetação o que torna o lugar ainda mais vulnerável.

O empresário e diretor da Cervejaria Schmitt, Gustavo Dal Ri, 45 anos, afirmou que as invasões de moradores nos lotes não habitados é um dos maiores problemas que o parque industrial da Restinga enfrenta atualmente. “A prefeitura é muito lenta em fazer as coisas funcionarem. Talvez seja pela falta de recursos, mas demora. Eles deixam de lado, aí agora que invadiram tem que esperar pela reintegração de posse para tirar aquelas pessoas de lá”, disse.

O diretor  salientou ainda que no momento da compra do lote, em 2010, o edital dizia que o local tinha terraplanagem e estação de tratamento de efluentes, itens necessários para a instalação de qualquer indústria no distrito. Ao notar que a realidade era totalmente contrária, Dal Ri teve que fazer as obras por conta própria.

Depois de inúmeras tentativas de contato pessoalmente, via e-mail e telefone não foi possível obter uma resposta da Prefeitura de Porto Alegre através da Gerencia de Projetos Especiais da Smic, setor responsável pela administração do Parque Industrial da Restinga. O que reforça a reclamação dos empresários de que tentativas de reuniões com o setor são sempre inúteis.

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