Instabilidade nas finanças do Estado continua a abalar servidores

Eliane Santos administra suas contas como pode - Crédito: Munique Freitas
Eliane Santos administra suas contas como pode – Crédito: Munique Freitas

Em julho de 2015, parte da população gaúcha sentiu no bolso a crise econômica que vive o Estado.  Nos meses seguintes, entre protestos e questionamentos feitos ao governo, o drama do parcelamento dos salários dos servidores públicos tem afetado o cotidiano de profissionais que buscam resolver suas vidas como podem, como relatam nesta matéria quatro servidores públicos gaúchos.

Por Munique Freitas
Jornalismo Econômico / Noite

Quando recebeu a notícia do agravamento da crise, a pensionista Eliane Santos, 57, não pensou que sofreria consequências tão radicais. Apesar de ter recebido integralmente nos últimos dois meses, não foi o bastante para se reerguer como o esperado. Eliane tem dois filhos, e ainda passa dificuldade em quitar suas contas.

“Não me lembro de passar por algo do tipo. Ao longo dos anos, sempre mantive minhas contas em dia. Hábito que não foi possível cultivar desde o primeiro parcelamento do meu salário”, conta a pensionista.  “Tivemos uma série de planos frustrados, como a viagem para passar a virada do ano no litoral. Estamos pagando as dívidas”, lamenta Eliane.

Sem muita perspectiva de melhora, os servidores Alexandre Rugel, 42, e Domingos Figueiredo, 63, apontam um prejuízo estimado em R$ 3 mil. O casal vive junto há mais de 12 anos e passa por momentos de tensão a cada fechamento de mês.  Rugel é professor numa escola do município de Pelotas, e via como solução cobrar por aulas particulares para suprir o salário incompleto. Entretanto, não teve o resultado que esperava. Figueiredo atua no setor de segurança.

“Mesmo com o governo anunciando o pagamento integral, ficamos apreensivos com os próximos meses. Tudo passou a ser incerto”, desabafa. E de fato, a preocupação do professor não é atoa. O Secretário da Fazenda do Estado, Giovane Feltes, admitiu em pronunciamento no Piratini que a medida pode se repetir futuramente.

Até mesmo quem obteve a normalidade no contracheque sentiu a deficiência causada pelo momento em que o Estado enfrenta. Carlos Eduardo Neuman, 27, trabalha em uma empresa que lida com peças publicitárias há mais de seis anos, mas a crise tem contribuído para a falta de clientes no ramo.

“Está difícil segurar a barra. Apesar de sermos uma empresa privada, estamos sentindo uma declinação muito forte no mercado, por conta desse período turbulento”, conta o empresário preocupado com a possibilidade de demitir funcionários. Em sua opinião, o desemprego está muito ligado a toda essa crise que não afeta apenas servidores públicos, mas todo Estado.

Só no setor de segurança, 84, 9% dos trabalhadores sofreram o impacto da crise. Graças a um projeto aprovado na Assembleia Legislativa, o mês de setembro foi pago em dia. O que ampliou de 85% para 95% o limite de saque dos depósitos judiciais, que são os valores depositados nas contas da Justiça durante uma disputa judicial.

Atualmente, a medida atrasa a dívida com a união, porém ameniza o embate da população gaúcha com o governo. Após as soluções apontadas para resolver a situação financeira, pelo menos metade dos habitantes do Rio Grande do Sul desaprova a atual gestão, segundo o levantamento realizado pelo Instituto Methodus.

Solução para o mês de novembro

A General Motors (GM) depositou R$ 302 milhões na conta do Estado para garantir o pagamento integral do mês de novembro. Ao longo do dia 30, os vencimentos foram depositados de forma parcelada em três lançamentos de R$ 1.450, R$ 650 e R$ 400. Funcionários com salário até R$ 2.500 receberam integralmente.

Eliane, Alexandre, Domingos e Carlos Eduardo tem em comum a insegurança que permanece entre os servidores gaúchos.  Após atravessarem o ano de maior dificuldade na economia, eles ainda podem fechar o ano sem receber o pagamento do 13º salário do funcionalismo público.

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