Orçamento do Estado para 2016 deve destinar mais recursos para hidrovias

Ligação entre Guaíba e Porto Alegre – Crédito: Fernando
Ligação entre Guaíba e Porto Alegre – Crédito: Fernando
Realidade das hidrovias começou a mudar há mais de 4 anos, quando a linha entre Porto Alegre e Guaíba voltou a operar.

Por Fernando Dias Rego
Jornalismo Econômico / Noite

Esquecidas durante muito tempo, as hidrovias, que já foram muito utilizadas para mobilidade das pessoas nos grandes centros e para o transporte da produção do Rio Grande do Sul, retornam ao debate em torno do seu incremento para fomentar o desenvolvimento gaúcho. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul está abrindo espaço para o tema, buscando ações diretas para viabilizar o transporte hidroviário por meio do setor público e pela iniciativa privada.

Os deputados estaduais deverão apresentar emenda ao Projeto da Lei Orçamentária, buscando recursos, para implementar o transporte hidroviário de cargas e para infraestrutura dos portos de Cachoeira do Sul e de Rio Pardo.

A intenção é discutir esse sistema como um dos pilares da economia, tratando especificidades como mobilidade, transporte de riquezas e da produção. Como pano de fundo desta discussão, está a busca por um transporte eficiente e eficaz, proporcionando, além da economia, um sistema hidroviário seguro e não poluente. Esses fatores podem servir de estímulo para utilização dos 758 quilômetros navegáveis do Rio Grande do Sul, informações da Metroplan.

Atualmente, as hidrovias gaúchas transportam em torno de seis milhões de toneladas, sendo metade deste volume levada ao Porto de Rio Grande para exportação e trazendo as importações até o centro do Estado, segundo a Metroplan.

A navegação comercial, entretanto, exige uma série de ações de infraestrutura em geral, entre elas, a dragagem dos rios, o que remete a questão às carências financeiras do Estado. Nos últimos dez meses, duas dragas foram recuperadas e deslocadas para o Rio Gravataí, e a SPH (Superintendência de Portos e Hidrovias) está empenhada na recuperação das mais de 154 boias de sinalização do Rio Jacuí.

Por outro lado, a Metroplan criou um grupo de trabalho específico para tratar do transporte hidroviário. Foram chamadas as organizações ligadas ao uso das malhas de transporte aquático que atuam no Estado, como Superintendência de Portos e Hidrovias, Secretaria de Planejamento de Porto Alegre, Capitania dos Portos e Secretaria de Turismo do Estado. Esta última pasta coloca o transporte hidroviário como um dos pontos mais importantes para o crescimento do Rio Grande do Sul. Porém, o que torna caro o projeto de 230 quilômetros de extensão é a presença de variações de calado. Uma alternativa seria a adoção de barcaças adaptadas para cada trecho do rio.

Mobilidade urbana

Outra importante vertente do uso da malha hidroviária é a mobilidade urbana. Assim como o transporte de carga, o de passageiros tem a tendência de crescimento bastante significativa, tendo em vista as dificuldades apresentadas no uso das rodovias, como falta de manutenção, más condições das estradas e alto índice de acidentes.

Durante muito tempo, o transporte de passageiro foi deixado em segundo plano devido a impedimentos burocráticos, técnicos, ambientais. A navegabilidade ficou comprometida em função da estrutura construída na década de 70, que se tornou precária e defasada, como é o caso das barragens, terminais de carga e descarga, e canais. Mas essa realidade começou a mudar há mais de 4 anos, quando a linha entre Porto Alegre e Guaíba voltou a operar.

De acordo com o técnico Hélio Scherinert Filho, “a Metroplan decidiu por reiniciar a travessia entre Porto Alegre e Guaíba que por muitos anos foi usado, e que depois das construção da ponte entrou em desuso”.

Hoje, o percurso atende em média três mil passageiros por dia. Com o pensamento voltado para melhorar essa travessia, a Metroplan decidiu criar um ramal, como é chamada as estações de parada das hidrovias, ligando Guaíba a Porto Alegre, na região do Barra Shopping, e desta região da cidade até o centro da Capital.

E para o futuro, estão previstos ainda outros pontos de embarque em Porto Alegre e, inclusive, a extensão do serviço para outras cidades banhadas pelo Lago Guaíba. Um indício de que o transporte pelo rio pode se tornar uma solução para os problemas de deslocamento da população dos grandes centros urbanos.

HIDROVIAS – O Rio Grande do Sul possui uma extensa malha hidroviária formada por rios, lagos e lagoas navegáveis que atravessam o seu território. Existem duas grandes bacias hidrográficas que contém os principais rios: Bacia da Lagoa dos Patos (Bacia do Sudeste) e Bacia do Rio Uruguai.  O sistema hidroviário é de importância estratégica para o Estado, pelo potencial das vias navegáveis interiores na redução de custos e economia de combustível no transporte de cargas, especialmente de cargas de grande volume unitário, em distâncias compatíveis com a modalidade hidroviária. Acrescente-se a isso, a consequente redução do tráfego rodoviário, reduzindo o número de acidentes e o custo de manutenção nas rodovias estaduais. Fonte: Metroplan.

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