Brasileiros vivem a ameaça do desemprego

Com a evolução do desemprego em diversas áreas por todo o país, devido a crises financeiras e outros fatores que levam a demissões, cresce o receio de trabalhadores serem vítimas diante do forte impacto que o mercado de trabalho vem sofrendo com a queda das produções e baixa demanda desde o início de 2015.

Por Jordana Laguna
Jornalismo Econômico / Noite

Estabilidade, confiança, anos de carteira assinada pela mesma empresa, competência, aptidão, conhecimento e vastas experiências já não são mais critérios para manter um funcionário e livrá-lo do risco de demissão. Quando há necessidade das empresas diminuírem custos, ou essa estiver passando por crises financeiras e reestruturação empresarial, não há garantia de manter todos seus funcionários. O medo pela demissão faz com que muitas pessoas consumam menos, as empresas vendem e investem menos, e cortam e demitem funcionários que vão consumir menos.

Dados do instituto Datafolha mostra que mais de 73% dos brasileiros temem em perder o emprego. Segundo o ministério do Trabalho mais de 130 mil postos de trabalho foram fechados no país, o pior resultado em 23 anos. Os trabalhadores não se garantem mais e se sentem amedrontados frente a percentuais que vêm os chocando e crescendo desde o início deste ano. Infelizmente, não há funcionário que não esteja sujeito nesta onda de demissões. Basta estar no mercado para ter o risco de estar desempregado.

Causas que levam a demissão

O nível do desemprego é resultado de vários fatores, por ser uma questão complexa e que envolve circunstâncias demográficas, econômicas, políticas e sociais, ele é causado por diversos motivos.

Alguns deles como a baixa qualificação do trabalhador para a vaga que há disponibilidade, pois, muitas vezes, há vaga para o setor que o trabalhador está procurando, porém o mesmo não possui formação adequada para exercer aquela função; substituição de mão-de-obra por maquinários, devido a alta tecnologia, muitas indústrias passaram a usar máquinas na linha de produção nos três setores da economia; a crise econômica, quando uma empresa se depara frente à crise, o consumo de bens e serviços tende a diminuir; fatores climáticos; custo elevado para empresas contratarem com carteira assinada; e tantos outros.

Segundo o IBGE, no mês de outubro deste ano, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 8,4%. Foi o maior índice para o mês de setembro desde 2009. 8,4% para 204 milhões de habitantes equivale a mais de 17.500 pessoas desempregadas, um índice assustador tanto para quem está no mercado quanto para quem busca emprego.

Dados do IBGE confirmam que há uma tendência alta de ocupação no trabalho doméstico. Esse crescimento ocorre porque as pessoas que não estão tendo oportunidade de se inserir no mercado de trabalho, ou estão sendo dispensadas, acabam tendo que se inserir de outra forma, como através do trabalho doméstico. Com isso, muita gente é forçada a trabalhar por conta própria.

Vítimas do desemprego lutam por conta própria

Catiana Vidal, estudante em Gestão de Recursos Humanos, de 29 anos, se depara com o cenário difícil em achar emprego. Ela diz que nunca ficou tanto tempo desempregada, e enquanto não encontra algo na sua área, precisa usar seu tempo vago para fazer serviço autônomo para se sustentar. “Eu admito que no começo não imaginei que seria tão difícil e que iria permear por tanto tempo a busca por uma vaga na minha área. Sem dinheiro no fim do mês não pude ficar, por isso fui atrás de outras oportunidade para o meu sustento”. Catiana hoje está trabalhando como cabelereira em atendimento a residências, fez um curso de quinze dias para aperfeiçoamento, e, no entanto, é desse meio que consegue pagar suas contas.

Assim como Catiana, tantos outros brasileiros estão se virando como podem enquanto não encontram o emprego dos sonhos, registrado e com todos os benefícios de acordo com a lei. A busca pelo emprego perfeito nem sempre é obtida no momento que se espera, e, por essa razão, é importante ter em mente a possibilidade de conquistar sucesso em outras áreas, ao menos por um momento, não deixando de desistir do que realmente quer, mas trabalhar em outro segmento para não sair do mercado de trabalho.

Bruno Correa, de 33 anos, também já atuou em muitos setores do mercado, foi se adaptando e procurando conhecer de modo geral para poder sempre ter alguma alternativa. “Eu fui desde empacotador, atendente, pintor, pedreiro, auxiliar de vendas, e tudo o que aparece eu abraço, não me mixo por pouco porque infelizmente não tenho condições de escolher e exigir algo diferente do que me aparece”. Bruno não tem graduação e nem cursos profissionalizantes, como casou e foi pai cedo, não tivera tempo nem oportunidade para investir em si, precisando desde cedo batalhar para sustentar a família.

Reginaldo Lopes, de 43 anos, desempregado por quase um ano, sem grandes experiências para um trabalho bem remunerado, hoje busca especializações para ter a chance de uma vaga em um setor que possa se estabilizar e ser efetivado futuramente. Reginaldo comenta que é complicado demais ter ânimo e autoestima, se sente desanimado e desvalorizado perante a família e todos ao redor, “ter filhos e casa para sustentar e não ter da onde tirar é o mais duro para reagir e seguir em frente”.

Trabalhando no psicológico de quem é demitido

Janaina Roos, 41 anos, é diretora de relacionamento de uma empresa e tem o trabalho de tornar o momento de uma demissão menos difícil, ajudando as pessoas que passam por essa situação a entenderem a causa e ajuda-los a olhar para outros horizontes e não deixa-los sentirem-se derrotado. “É cruel uma atitude de demissão, é um processo difícil, é considerada como uma atitude de luto, porque para muitas pessoas o trabalho tem um peso tão ou mais importante que outras atividades. O nosso trabalho é tornar esse processo um tanto mais leve e mais natural.”

Janaína conta que, em um primeiro momento, deve-se trabalhar no psicológico e no tratamento desta pessoa desempregada que se sente desamparada e desanimada, é mostrar o porquê de sua demissão e, depois, ajudar o profissional a não olhar a linha única que tem em termos de carreira, podendo abrir o “leque de opções”.

A diretora relata que todo o ser humano tem a capacidade da abertura desse leque, se necessário, deve-se esgotar as possibilidade e pensar além do que sabemos e vivemos ali cotidianamente, supor estar em um outro lugar e fazendo uma outra coisa diferente do que fazia, é essa recolocação, mudanças de segmento de trabalho, ajudar o profissional a não olhar a linha única do que fez, e sim do que pode ser feito daqui para frente.

Passar por uma situação de desemprego é extremamente delicada, envolve a família inteira e muitas circunstâncias e consequências, mas não se pode abalar nem se entregar em um momento com esses. O ser humano está muito treinado no modulo convencional celetista, mas nada impede olhar para o gosto do trabalhador, de repente fazer um curso gratuito, fazer um workshop, se especializar e fazer quem sabe uma nova carreira, uma especialização a um novo trabalho e quem sabe ser mais feliz e continuar estando dentro do mercado de trabalho.

Para Janaína e toda a sua equipe, todo mundo tem uma segunda paixão tratando-se do ponto em praticar o trabalho, algo que gostamos de fazer em paralelo com que trabalhamos, e porque não usar deste segundo mecanismo, se for preciso, para gerar renda e tornar este a nossa nova fonte de trabalho e especialização. Ela explica que é importante que o profissional se conheça, entenda o que goste de fazer, qual o ramo que gosta, tem prazer e intimidade em passar horas do dia dedicado a isso. E também quais as contratações mais disponibilizadas do mercado.

Confiança na entrevista de emprego

Sidney Ferreira, diretor regional da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, relata que são mais de duas mil vagas para oferecer ao trabalhador, sendo a maioria delas oportunidades no setor de serviços, área que geralmente não pede tantas qualificações e experiências.

Segundo recomendações de Sidney, quem vai procurar um emprego deve já estar decidido sobre a função que quer exercer. “Não existe ‘eu faço qualquer coisa’, deve ter um definição da sua vontade e saber das disponibilidades no mercado para vagas neste setor”, comenta o diretor sobre a postura que o indivíduo deve tomar ao ir atrás de novas oportunidades.

Ainda sobre recomendações, o órgão sugere que na entrevista principal deve-se chegar com antecedência, ser sincero, se apresentar adequadamente para seu cargo de trabalho e todos aqueles pré-requisitos que todos devem conhecer para uma boa apresentação. A postura e a segurança para o entrevistado é a certeza de que você pode ter essa vaga. A autoestima sempre em primeiro lugar, estar alegre só pelo fato de ter tido a chance de estar sendo entrevistado. “A autoestima começa dentro de você, o importante é não se entregar”, declara Sidney.

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