Fellas Music Fest aquece o mercado na capital

Banda Second Hand - Crédito: Produção Fellas / Mariano Beck
Banda Second Hand – Crédito: Produção Fellas / Mariano Beck
Primeiro festival que acontece em outubro na zona sul de Porto Alegre, o Oktober Fellas traz a expectativa de mudança no ambiente cultural do Sul.

Por Bernardo Figueira
Jornalismo Econômico / Noite

Ser músico é um desafio sem fórmula de sucesso. São poucos os que conseguem se diferenciar de forma rápida e alcançam enorme ascensão conquistando o mercado nacional. Enquanto isso muitas bandas dos cenários locais buscam o seu espaço em meio a um período de crise. Em Porto Alegre está se vendo um novo momento proporcionado pelo Fellas Music Fest, que está motivando alguns músicos a preparar material e se qualificarem para um momento especial da cena gaúcha.

O Fellas Music Festival é um projeto da banda porto-alegrense Second Hand com o objetivo de promover uma festa entre amigos, com arte, música e uma energia inédita em Porto Alegre. Produzido de forma orgânica, o Fellas acabou conquistando um nicho em potencial na capital e vem fortalecendo cada vez mais esse cenário musical.

Banda New Age Travellers - Crédito: Produção Fellas / Mariano Beck
Banda New Age Travellers – Crédito: Produção Fellas / Mariano Beck

Hoje o evento se expandiu e não está somente no bar Opinião, onde começou, teve uma edição no verão em Atlântida e em outubro acontece o primeiro festival a céu aberto que vai começar de dia. O sonho que vai se concretizar, segundo o produtor sócio da festa e vocalista da banda Second Hand, Bruno Nerva, se chama “Oktober Fellas Music”. O festival vai acontecer em outubro em um sítio na zona sul de Porto Alegre. Situação que pode ser pontual para expandir a marca para o resto do Estado e talvez para o Brasil.

Nerva disse que o Fellas surgiu de uma lacuna que o Bar Opinião deixou quando parou de produzir um evento antigo. “O Opinião tinha uma festa em que tocávamos todos os anos. Nós sempre gostamos de nos envolver em todas as partes dos projetos, então cuidávamos de cartazes, divulgação etc.

Quando o evento iria parar de ser produzido, um dos sócios do Opinião nos propôs que criássemos um novo produto e nos deu carta branca para isso. Assim pensamos no Fellas e trabalhamos em cada detalhe. Desde a curadoria, proposta, branding e bandas para tocar. Era para ser apenas uma festa com uma vibe boa de amigos, mas acabamos aquecendo uma nova cena e ajudando na profissionalização de bandas”, destacou Bruno Nerva.

O retorno financeiro para os produtores do evento está sendo positivo e a casa está quase lotada em todas as edições. O público em média presente gira em torno dos 1.700. Além disso, o cachê é bom e agrada as bandas. “Nós procuramos fazer a divisão de forma justa. Afinal, somos um grupo de amigos fazendo um som, essa é a essência”, pontuou o produtor e sócio do evento.

O vocalista da banda New Age Travellers, Rafael De La Rocha, que se apresentou em algumas edições da festa e que marcará presença no palco do Oktober Fellas em outubro, disse que estão aparecendo grandes oportunidades em uma cidade como Porto Alegre, que, segundo ele, é conhecida por ser um cemitério de sonhos.

“Não é muito fácil agradar o público em Porto Alegre. Parece que as pessoas só gostam do que vem de fora. Mas está se vendo um grande potencial com o Fellas. É uma oportunidade única poder tocar com gente fera e para uma galera animal. Com o festival agora podemos sonhar além. Se a mídia cobrir, não fingir que não está acontecendo nada e que o público não está se mobilizando para curtir essa cena, podemos até pensar em um possível ponto turístico em nossa cidade. Afinal, teremos o nosso festival aqui”, disse o frontman da New Age Travellers, que apresentará o seu novo EP no Oktober Fellas.

Com a proposta semelhante a festivais como Lollapalooza, Meca, Coachela e outros, este primeiro festival do Fellas em Porto Alegre produzido pela galera local pode vir a ser um marco para a cidade.

De acordo com o músico e ex-integrante da banda Go Crazy, Leonardo Cassiano, esta  ideia do “se não tiver aonde tocar, a gente mesmo cria”, está sendo crucial para o engajamento com o público. “O que vemos agora é o pessoal se movendo mais. Principalmente entre as bandas. Estão com a mentalidade de buscar e criar um evento para mostrar o seu trabalho. O Fellas é um exemplo disso, ainda não fui à festa, mas dá pra ver que é o espaço ideal para as bandas que querem se fortalecer no mercado”, disse Cassiano.

Diante de tudo isso, se vê que o grande trunfo é este reconhecimento do músico regional em meio a um mercado que visa valorizar produtos criados por agências. Desta forma se cria a expectativa de que o Fellas possa ser o pioneiro de outros festivais que irão enaltecer bons artistas de nossa casa que não nos vendem apenas refrãos prontos. A música ainda respira!

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