O momento econômico pede mais colaboração

Casa de Amapola, localizada na Rua Sofia Veloso, no Bairro Cidade Baixa - Crédito: Karine Munhoz
Casa de Amapola, localizada na Rua Sofia Veloso, no Bairro Cidade Baixa, é uma das 20 casas colaborativas já criadas em Porto Alegre – Crédito: Karine Munhoz
O empreendedorismo é marcado pela inovação e por romper tendências de seu tempo, para formar o que, à frente, serão as práticas consolidadas que pautam as relações de mercado. É neste contexto, que começam a se consolidar, em Porto Alegre – a exemplo de outros grandes centros urbanos brasileiros -, os espaços colaborativos.

Por Karine Munhoz
Jornalismo Econômico/ Manhã

Espaços colaborativos são apostas de empreendedorismo, que, por aliarem a racionalização dos custos e o encadeamento positivo do compartilhamento, estão se mostrando em franca expansão e marcando uma tendência empresarial, que tem tudo para ser bem-sucedida.

Porto Alegre já faz parte da Sharing Cities Network – uma rede de cidades colaborativas que objetiva conectar pessoas e informações, projetos e ações, coletivos e ativistas, e empresas que trabalham na lógica da colaboração. Para tanto, mensalmente, são realizados encontros de representantes de todas as casas colaborativas, em que são propostas ações e mudanças, não só para os empreendimentos, mas também para a cidade.

Segundo dados do Gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa), o número de espaços que utilizam as técnicas colaborativas já supera duas dezenas. Igualmente, os administradores desses lugares buscam, através da mútua troca de informações, realizar, periodicamente reuniões para debater e traçar os rumos que pautarão o futuro dos negócios.

“Um dos nossos objetivos é conectar todos os agentes da inovação social e da inovação econômica, consolidando ações desenvolvidas ao longo dos três anos de existência do Comitê Municipal de Economia Criativa”, informou a Secretária do Gabinete de Inovação e Tecnologia, Maria Fernanda Bermúdez, na abertura de um evento sobre o tema realizado em julho.

Parceria pelo Facebook

Alguns dos oito ambientes da Casa de Amapola – Crédito: Divulgação
Alguns dos oito ambientes da Casa de Amapola – Crédito: Divulgação

Um, dentre os mais de vinte espaços existentes em Porto Alegre, é a Casa de Amapola, que reúne profissionais de diferentes campos do conhecimento, e empresas das mais diversas áreas, localizada na rua Sofia Veloso, no bairro Cidade Baixa.

Segundo a sua idealizadora, Elisa Tormena da Silva, de 35 anos, com formação em Arquitetura, o pensamento partiu através da necessidade pela busca de uma locação para a montagem de seu escritório.

“Encontrei um espaço físico incrível, com muitas possibilidades, mas que eu não faria ocupação completa do imóvel”, relatou Elisa. Foi então que lançou a ideia no Facebook e antes de assinar o contrato de locação com a imobiliária já tinha as pessoas que iriam assumir a casa com ela.

O espaço está distribuído em um amplo casarão, que conserva a arquitetura original de época e traz o toque de personalidade e de modernidade. O local tem quatro grandes salas, em que se distribuem os oito empreendimentos colaborativos, dentre empresas e empreendedores autônomos.

E-commerce de vestidos de noiva

Natália Pegoraro, 28 anos, formada em Relações Públicas, é uma das compartilhadoras da Casa, idealizadora e administradora do O Amor é Simples, uma e-commerce de vestidos de noiva simples e um marketplace de produtos e acessórios para casamentos não tradicionais.

“Existe um movimento maravilhoso de valorizar a colaboração, porque ela de fato traz inúmeras vantagens. Olhando pelo nosso caso: estamos em um ambiente corporativo completo, com sala de reuniões, cozinha, pátio, internet. Tudo por um preço muito menor do que se estivéssemos em um espaço só nosso”, ressaltou Natália.

Pensando ainda mais à frente, há outras características que favorecem a expansão dos negócios e o aprimoramento profissional. “Por si só já é uma das grandes vantagens: usar recursos de forma inteligente. Mas o ganho vai muito além disso, já que compartilhar a casa nos permite estar em contato com outros profissionais, trocar ideias, fazer negócios e, também, amigos”, constata uma das empreendedoras do Casa de Amapola.

Fazendo a avaliação quanto aos aspectos que podem ser desfavoráveis nessa modalidade, a grande questão enfrentada é, muito mais, uma norma geral de convivência em sociedade, do que um ponto negativo. “A questão de limitação do espaço: não podemos sair tomando conta do espaço que é colaborativo, compartilhado. Isso de longe é um problema ou limitação, é apenas regras de boa convivência que se aplicam em todo o lugar”, esclareceu Natália.

Colaborar para empreender

O aspecto que mais chama atenção na forma com que são planejadas, criadas e estruturadas as casas colaborativas é o marcante traço de empreendedorismo de seus idealizadores.

Segundo Juliano Leite Forster, 33 anos, mestre em Gestão de Negócios e administrador do Paralelo Vivo, um novo empreendimento sustentável de Porto Alegre, é a partir dos momentos de crise que são absorvidas novas oportunidades, criando-se conceitos inovadores.

“A partir da necessidade de dividir custos entre empresas para atravessar um momento de crise, resolvemos nos juntar com outros negócios. Rapidamente descobrimos que não havia somente despesas para rachar, mas também oportunidades para serem compartilhadas”, constatou Juliano.

Empreendimentos que fazem parte do Paralelo Vivo – Crédito: Karine Munhoz
Empreendimentos que fazem parte do Paralelo Vivo – Crédito: Karine Munhoz

Houve prévio estudo sobre a viabilidade econômica do Paralelo Vivo. Ainda que as perspectivas não fossem as melhores, relata Juliano, as tendências futuras mostravam que o negócio teria margem grande de crescimento, “principalmente porque há um grande vazio de mercado”.

É neste cenário que surgiram as primeiras casas colaborativas de Porto Alegre, que vêm se consolidando como importante alternativa econômica. Aqueles que conseguem compreender os novos contextos sociais, que geram mudanças nos padrões de consumo, se destacam. Para competir, o momento pede cada vez mais colaboração.

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