MEI: alternativa para driblar a crise

Leandra Vieira é proprietária de uma indústria de vestuário, cadastrada como Microempresa Individual - Crédito: Nathalia Lauxen Braga
Leandra Vieira é proprietária de uma indústria de vestuário, cadastrada como
Microempresa Individual – Crédito: Nathalia Lauxen Braga

Como alternativa para enfrentar o momento econômico e a onda de desempregos, porto-alegrenses usam o mercado do negócio próprio como fonte de renda.

Por Nathalia Lauxen Braga
Jornalismo Econômico/Noite

Em tempos de cortes de gastos nas empresas e a consequente demissão de funcionários, é preciso procurar alternativas. Proprietária de uma indústria de vestuários, Leandra Pereira Vieira, 47, trabalhou por seis anos de maneira informal.  Ao perder o emprego, decidiu ter o próprio negócio e abriu uma microempresa. Os custos envolvidos na manutenção da indústria impulsionavam Leandra a desistir da fonte de renda,  até conhecer o sistema de Microempreendedor Individual (MEI), há dois anos.

A empresária se registrou no Sebrae/RS e logo sentiu os primeiros efeitos.  A produção aumentou 40% e o número de clientes também cresceu, devido à emissão de notas fiscais dos produtos: “Mudou até a forma de lidar com o cliente. Recebo mais confiança, mais respeito”, ressalta.

Conforme levantamento do Sebrae/RS, a taxa de pessoas que decidiu investir no próprio negócio é a maior dos últimos 14 anos no Brasil. Neste cenário, se destaca o surgimento de novos microempreendedores individuais: atualmente, são 345 mil no Estado.

A motivação para o crescimento está na facilidade de regularizar a empresa. O MEI é indicado aos empresários com faturamento máximo de 60 mil reais por ano e que não tenham participação em outra empresa como sócio ou titular. Além disso, os benefícios são atrativos: isenção de tributos federais, o cadastro pode ser feito pela internet e a taxa de manutenção custa cerca de R$ 50 mensais.

“Entre as vantagens de migrar para a MEI, estão o direito ao INSS, auxílio doença e maternidade. Os juros de empréstimos bancários também são mais baixos”, explica o  coordenador estadual de atendimento do SEBRAE/RS, Jonatas Goulart,  explica as vantagens de migrar as microempresas para MEIs.

O SEBRAE incentiva a inscrição no MEI por meio de cursos de qualificação gratuitos. Os microempreendedores aprendem a gerir o próprio negócio e a vender os produtos.

Cenário industrial

A indústria é um dos setores que mais emprega gaúchos, conforme pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) de 2014. Perde, apenas, para o comércio e serviço. A região Metropolitana de Porto Alegre é considerada a mais desenvolvida do Estado quando se trata de indústrias: 48% delas se concentram no local.

Dados da Fiergs ainda apontam que essa região gera meio milhão de empregos formais na área industrial, o que corresponde à metade das vagas empregatícias do Estado. Só em Porto Alegre, 1,9 mil empresas são registradas no segmento industrial na Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic).

Mesmo frente à crise econômica, algumas áreas da indústria porto-alegrense se mantêm estáveis. A principal é a de alimentos. Neste âmbito, se destacam produtos como carnes frigorificadas, charques, massas alimentícias e óleo de soja. O setor de couro e calçados também predomina na região metropolitana.

Segundo o economista Paulo Barni, a crise econômica brasileira afeta de forma direta o setor industrial do Rio Grande do Sul. Ele afirma que, em decorrência da desestabilização do mercado financeiro, mais de 200 mil pessoas foram demitidas. Enquanto isso, o SINE de Porto Alegre divulga quase 50 mil vagas disponíveis na capital.

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