Em transformação, ovinocultura ganha espaço no mercado

Produtor Fabricio Wollmann Wilke levou duas ovelhas para a Expointer - Crédito: Cristielle Valle
Produtor Fabricio levou duas ovelhas para a Expointer – Crédito: Cristielle Valle

A cada ano que passa, os produtores procuram expandir seus negócios e agregar resultados positivos em seus investimentos. A ovinocultura é o ramo que vem ganhando cada vez mais destaque no cenário nacional, principalmente no estado do Rio Grande do Sul e na Região Nordeste, segundo o Ministério da Agricultura.

Por Cristielle Valle e Lucas Lautert
Jornalismo Econômico / Noite

São mais de 14 milhões de ovinos e caprinos no Brasil. No território gaúcho estão pouco mais de 4 milhões desse total, o equivalente a quase 30% da produção nacional. Esse número só foi alcançado após o governo lançar o programa “Mais Ovinos no Campo” em 2011, com o intuito de alcançar esses 4 milhões de animais. Em 2011 eram pouco mais de 3 milhões.

Na ovinocultura, estão acontecendo mudanças, tanto para os grandes quanto, para os pequenos produtores segundo Fabrício Wollmann Wilke, veterinário e dono da Cabanha Capané.

“A ovinocultura passa por um momento de transição, porque antes a ovelha era só “tipo lã”, principalmente na fronteira do Rio Grande do Sul. Mas o crescimento do mercado de carne ovina vem crescendo muito nos últimos anos. Com essa ascensão, o rebanho de ovinos de corte é a prioridade dos produtores como negócio. Hoje, o cordeiro está muito valorizado”, fala o produtor.

Com essas mudanças, algumas dificuldades apareceram para os cabanheiros. “A maior dificuldade é a mão de obra e a parte de extensão rural. O pessoal abandonou um pouco, ficou uma lacuna dos técnicos nessa transição da lã para carne, muita gente deixou de criar”, diz Fabrício.

O cabanheiro deixou claro que existe uma grande diferença para quem expõe na Expointer, que é a maior feira de animais da América Latina (onde foi concedida esta entrevista), e os pequenos produtores.

“É outra realidade em comparação aos outros produtores que trabalham com ovinos. Aqui (na Expointer), a elite expõe o top da genética. Isso é a vitrine do que tu tens de melhor na propriedade. O propósito é mostrar a cabanha, o teu material, pra posteriormente ter uma venda”, completa Fabrício.

Verificação feita nos animais é rígida

Os animais só entram na Expointer se estiverem em perfeitas condições. Missão nada fácil para os cabanheiros. Antes de conseguirem essa liberação, os animais passam por uma triagem feita por um grupo de zootécnicos e veterinários, determinados por lei da Secretaria da Agricultura. Segundo o veterinário e comissário de ovinos há trinta e cinco anos da Expointer, Clóvis Machado, a inspeção é rígida. “Se o animal apresentar alguma doença, piolhos ou problemas de documentação, não entra no parque. Já é solicitado que o dono desse animal, que não está apto, providencie o retorno dele para a sua cabanha”, explica.

Outro tipo de problema que é corriqueiro nos animais são os machucados que acontecem na viagem. “Um dos acidentes mais normais que acontece é o macho bater os testículos. Esse órgão do animal é muito grande e sensível, e isso pode fazer com que o animal seja cortado da feira, ou uma pata por exemplo. Outro problema é o peso que eles perdem e não conseguem recuperar no tempo em que estão expostos. Porém esses problemas não fazem com que o animal volte para casa, só não vão poder competir pelos prêmios de cada raça”, completa Clóvis.

Filhote nasceu na Expointer - Crédito: Lucas Lautert
Filhote nasceu na Expointer – Crédito: Lucas Lautert

Na visão do veterinário, ninguém fica rico com ovinos. Mas esse é um ótimo negócio para os pequenos produtores: “Ovelha te dá lã, carne, cordeiro, descarte da ovelha velha, tudo isso agrega valor. É claro que os campeões ficam muito valorizados, tem gente que tem como ‘hooby’ comprar esses animais por altos preços. O campeão Corriedale foi vendido (no dia 5 de setembro) por 27 mil reais. É uma grana que não se tira no campo”.

Carne de ovinos vem agradando o público

A ovinocultura, segundo o Ministério da Agricultura, vem aumentando sua participação no agronegócio brasileiro e a tendência é manter a expansão. Essa aposta se define pela mudança de alimentação das pessoas em relação à carne ovina, que vem aumentando devido a sua maciez e também à alta do preço da lã e às ajudas governamentais.

A procura pela carne de ovelhas vem crescendo nos últimos anos. Dealmo Lautert, profissional na área de venda de carnes há 28 anos, fala das qualidades que faz com que o público goste, cada vez mais, da carne do ovino: “Uma característica é a carne ser mais macia e também mais magra do que a carne de gado”.

Segundo Dealmo, a parte mais procurada pelos clientes é a paleta e o pernil, ambos custando em média R$19,00 o quilo. Do produtor para o supermercado o preço de uma ovelha é de R$13,00 o quilo. Ele explica que esse valor é do ovino pronto para o corte, sem lã, pele, sem a cabeça e também sem as patas. E garante: “entre as carnes, a que cresce mais em relação a um período anterior é a de ovelha”.

 

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