Crimes de abigeato prejudicam a economia no campo

Cresce o número de casos de abigeato no Rio Grande do Sul

Por Graziella Santos
Jornalismo Econômico / Manhã

O medo ronda criadores de gado em Montenegro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O sossego no campo acabou, e os ladrões estão retirando dos proprietários a sua única fonte de renda.

A vida no campo sempre foi pacata, mas, de um ano para cá, tudo mudou na vida do casal Régis Silva e Maria Inês Silva, que saíram da cidade grande, depois da aposentadoria. Logo após um período de grandes faturamentos financeiros, desde 2015, a renda da família passou por prejuízos com os crimes de abigeato. O agricultor relembra que, em um dos ataques, cinco vacas prenhas, que pesavam cerca de 600 quilos, foram abatidas durante a madrugada.

Um prejuízo de mais de 30 mil reais para o agricultor, que representa a perda de um ano todo de trabalho da família. Existem quadrilhas especializadas na cidade, que atuam no campo de diversas propriedades para vender a carne bovina de forma clandestina para comércios da região.

Roubar gado à noite para o abate é chamado abigeato, e é o maior temor dos proprietários rurais. A polícia da cidade de Montenegro acredita que mais de uma quadrilha vem agindo na região. Segundo o delegado Eduardo Azeredo, as quadrilhas agem por rio e por terra, e não se intimidam com as medidas de proteção adotadas pelos produtores rurais.

O que preocupa ainda mais são os possíveis conflitos armados, que podem acontecer entre os criminosos e os proprietários. Em janeiro houve confronto entre bandidos e a polícia, que conseguiu evitar a invasão em uma fazenda. Azeredo ressalta que, desde o início do ano, duas operações policiais já foram realizadas na região para combater o crime. Seis homens foram presos, e com eles foram encontradas várias espingardas, munição e armas para abate dos animais. Uma tonelada de carne também foi apreendida.

Segundo levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), foram notificados 9,2 mil casos de abigeato no Estado em 2015, crescimento de 25% em um ano. Entidades que acompanham diariamente o produtor, estimam que o número seja maior. Conforme declarou em entrevista na 39ª Exposição de Animais, Máquinas, Implementos e Produtores Agropecuários (Expointer), Carlos Sperotto, presidente da Farsul, atualmente muitos produtores não registram boletim de ocorrência, em razão do descrédito.

Durante o mês de agosto, em assembléia com os representantes da Farsul e o chefe de polícia do Estado, Emerson Wender, foram debatidas medidas para blindar este tipo de crime no Estado. Uma das questões abordadas neste encontro foi a dificuldade financeira que os órgãos de segurança enfrentam, como a falta de efetivo policial e o congelamento de horas extras em função dos cortes no orçamento na pasta Estadual .

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