Expointer em pauta

A maior feira de agronegócios movimenta a economia gaúcha e a cobertura da imprensa.

Casa da Band na Expointer. Crédito: Departamento de Marketing da Rede Bandeirantes
Casa da Band na Expointer. Crédito: Departamento de Marketing da Rede Bandeirantes

Por Marina Freitas
Jornalismo Econômico / Manhã

O ingresso de preço baixo e o palco de shows surpreendem logo na entrada. Logo avisto barracas e cartazes anunciando venda de cocada, cachorro-quente e até entrevero. Cuscos passeiam aleatoriamente pelo gramado enquanto seus donos, vestidos a caráter, bebem o mate. O primeiro cavalo que vi era robusto e tinha muitas pintas espalhadas no couro. Ali, a repórter se posicionava entre a câmera enquanto aguardava o aval do cinegrafista para iniciar a prosa com o senhor de bombacha, que parecia ser dono do animal. Foi ali que a curiosidade despertou em mim.

A maior feira de exposição de animais da América Latina poderia me deixar extasiada apenas pelo nome, mas o que encontrei lá dentro foi mais do que o imaginado. A 37ª Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários, mais conhecida como Expointer foi meu primeiro contato com a base da economia do Rio Grande do Sul.

Apesar dos quase 5 mil animais, das enormes máquinas agrícolas, dos galpões vendendo guloseimas caseiras e das tradicionais churrascarias no parque de exposições, o que me chamou atenção foram as casas de tijolo à vista das principais emissoras de comunicação da capital gaúcha, construídas e equipadas especialmente para uma cobertura especial do evento.

A diversidade de assuntos que rendem matérias requer atenção especial de jornalistas com experiência na área de cobertura rural. A agropecuária é a base da economia do estado, o que justifica a grandiosidade do evento e a completa dedicação por parte dos jornalistas em produzir conteúdo de qualidade.

Especialista em agronegócio

Atualmente no grupo Bandeirantes, a jornalista Lizemara Prates cobre o setor de agronegócios desde 1986, quando iniciou na profissão e, nesta edição, completou 25 anos de cobertura na Expointer. A experiência lhe confere autonomia para dizer que, independente dos gastos e investimentos, é uma decisão editorial do veículo cobrir a feira com uma equipe fixa de TV (seis pessoas), uma editora, uma equipe de rádio (cinco pessoas) e mais oito de apoio técnico, sem preocupações com o retorno financeiro.

“Tudo isso é feito para mostrar o que é a Expointer como feira e evento agropecuário e as curiosidades que o telespectador gosta de saber”, garante ela, que também aponta os pontos positivos desta edição. “Estava melhor organizada, mais limpa e tranquila. Com a movimentação política, a feira se potencializou. Além de vir a Presidente da República, veio o novo presidente”, enfatiza, referindo-se ao fato de os três presidenciáveis que lideram as pesquisas terem passado pelo parque em Esteio (RS).

Maratona de reportagens

O correspondente do jornal Correio do Povo, Felipe Dorneles, jornalista de Santa Maria, veio trabalhar na maratona de reportagens especiais do veículo que, segundo ele, é o jornal que mais aborda assuntos da Expointer. São três cadernos inteiramente destinados ao evento com oito páginas cada.

“Além da cobertura factual a gente tem que fazer matérias especiais para alimentar esses cadernos”, diz Felipe. A equipe é formada por sete repórteres, sendo cinco especialistas em cobertura rural e dois correspondentes de outras cidades, além do chefe de redação, editor, quatro fotógrafos e equipe técnica.

O fotógrafo André Ávila afirma que a movimentação de Porto Alegre para o parque de exposições em Esteio começa até duas semanas antes do evento, para dar tempo de montar a redação com todos os equipamentos. Pergunto se o horário de expediente se intensifica com a feira. “Especialmente nessa época, cada turno deve fechar nove horas de trabalho e horário de saída depende das pautas”, afirma André.

A gerente de Marketing, Iaci Rocha, me explica que o principal retorno desse trabalho é a fidelidade do público. “O que nos diferencia é a cobertura inteiramente voltada para a área do agronegócio que chama atenção e fideliza o cliente durante o resto do ano”, menciona e revela: “Os custos são muito altos. Há que pagar hora extra, custos de alimentação entre outras despesas. Mas com a venda da cobertura jornalística conseguimos suprir os gastos e ainda lucrar”.

Minha conversa com Felipe termina quando surge uma demanda. Um senhor de barba branca o aborda tentando conseguir uma matéria com sua égua que garante ser a mais bonita do parque. De lembranças levo duas cucas de doce de leite, um pão de milho e meio queijo colonial, todos com gosto de tradição gaúcha.

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