Motores que movimentam a economia gaúcha

Área de máquinas e implementos agrícolas da edição de 2014 da Expointer. Crédito: Tárlis Schneider / Agência Acurácia
Área de máquinas e implementos agrícolas da edição de 2014 da Expointer. Crédito: Tárlis Schneider / Agência Acurácia
Ao se falar em economia no Rio Grande do Sul, a primeira imagem que vem à mente é uma grande lavoura prestes a ser semeada com os produtos alimentícios que veremos à venda nas feiras e supermercados. Atualmente, o agronegócio conta com inúmeras inovações tecnológicas no ramo de máquinas e implementos agrícolas para facilitar esse longo processo que começa no preparo da terra e termina no nosso prato de comida. Colheitadeiras, plantadeiras, pulverizadores, enfardadeiras e outros equipamentos de hoje eram resumidos a mão humana e a um dos até hoje protagonistas na agricultura, seja ela de pequeno, médio ou grande porte: o trator.

Por Paola Rebelo Casagrande
Jornalismo Econômico / Noite

Atualmente, o setor de máquinas e implementos agrícolas do estado representa 65% da produção nacional, de acordo com dados fornecidos pelo Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers). As empresas, sediadas em solo gaúcho, vendem não só para os demais estados brasileiros como também exportam para diversos outros países nos cinco continentes.

“Temos visto um crescimento na área de grãos aqui, no Estado”, afirma Lenita Sampaio Aquilino, da comunicação da John Deere. A marca atualmente investe em média 4 milhões de dólares por ano em inovação. “Em 2008, eram 161 pontos de vendas no Brasil, hoje são mais de 250”, declara Sampaio.

Os novos tratores cabinados são um dos principais lançamentos da John Deere esse ano. Crédito: Paola Rebelo Casagrande
Os novos tratores cabinados são um dos principais lançamentos da John Deere esse ano. Crédito: Paola Rebelo Casagrande

Segundo Taís Teixeira, assessora de imprensa do sindicato, são gaúchas as “máquinas, entre elas os tratores, que estão nas lavouras do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, toda essa parte do centro-oeste do país que é bastante forte na agricultura”.

Em quantidade, o responsável pelo marketing da Stara, Paulo Roberto Kreling, confirma que os líderes de compras dos tratores fabricados no Rio Grande do Sul são os estados Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No entanto, em questão de valores acumulados dos produtos comprados, as grandes lavouras do nordeste superam as demais regiões por necessitarem de máquinas maiores e mais sofisticadas.

Paulo Roberto Kreling busca usar o espaço da Expointer para aproximar os consumidores da marca Stara. Crédito: Paola Rebelo Casagrande
Paulo Roberto Kreling busca usar o espaço da Expointer para aproximar os consumidores da marca Stara. Crédito: Paola Rebelo Casagrande

“Lá pra cima, o valor dos tratores passa da casa do milhão. Aqui no sul se vende por 130 ou 140 mil reais”, constata Kreling. Para a Massey Ferguson, o cenário é um pouco diferente. De acordo com Leonel Oliveira, gerente de vendas da marca, São Paulo é o maior comprador de tratores e implementos agrícolas, e deixa o próprio o Rio Grande do Sul, onde está a fábrica, em terceira colocação.

Desde 2012, o mercado de tratores em nível nacional tem se mostrado bastante próspero. Esse ano, estima-se que serão comercializados entre 55 e 58 mil tratores em todo o Brasil, tanto de marcas cujas fábricas de montagem se encontram em território gaúcho ou não. “Pra indústria de tratores, é um número relevante”, assegura Oliveira.

Uma grande vitrine

As feiras de exposição têm um papel importante no concorrido mercado de equipamentos agrícolas. Eventos como a Expointer, a Agrishow, a Superagro, a Expodireto e a Fenasucro & Agrocana, entre outros, aproximam as grandes empresas de seus consumidores a fim de fomentar as vendas.

“A fábrica traz todo o seu aparato de produtos e de pessoas, toda a sua estrutura. É quando se consegue reunir todos os especialistas de todos os produtos”, diz o gerente de vendas da Massey Ferguson, “no primeiro final de semana, passaram de 100 a 110 mil pessoas na feira [Expointer de 2014]. Se ao menos 1% for cliente de máquinas agrícolas, é o momento em que se potencializa a venda”.

Além de estimular a proximidade entre fabricante e cliente, as feiras expositoras tem suas condições facilitadoras de vendas. Elas são a união de uma disposição econômica geral da feira, aplicada a todos os produtos daquele tipo, com as próprias condições especiais fornecidas pelos bancos, que geralmente já possuem uma verba pré-aprovada para ser investida especificamente naquele evento.

“Se um banco possui 100 milhões de reais pré-aprovados para financiar máquinas agrícolas, ele tem que usar esse dinheiro”, explica Kreling, da Stara, que exemplifica que “essas condições podem ser reduções de taxas, de juros ao mês, três anos de carências, dez anos para pagar, uma série de coisas”.

A Expointer, maior feira do setor agropecuário do Rio Grande do Sul, possui como característica ser mais festiva do que econômica. O gerente de marketing da Stara estima que a marca tenha gerado em torno de 18 a 20 milhões de reais em venda durante os nove dias de evento. Já na Agrishow do município de Ribeirão Preto (São Paulo), que é a maior feira-exposição do Brasil está entre as dez maiores do mundo, em média cinco dias de evento geram cerca de 150 a 170 milhões de reais para a fabricante.

Leonel Oliveira apresenta as novidades da Massey Ferguson na Expointer. Crédito: Paola Rebelo Casagrande
Leonel Oliveira apresenta as novidades da Massey Ferguson na Expointer. Crédito: Paola Rebelo Casagrande

Na visão de Leonel Oliveira, a situação se dá de forma muito mais pragmática: “se o mercado está numa situação boa, a feira vende bastante; se não está, não vende tanto”. O gerente de vendas da Massey alega que o mercado de tratores tem uma dimensão específica que não pode ser aumentada ou diminuída pelas feiras expositoras. “A feira é só um veículo de vendas, são outros fatores que influenciam no tamanho do mercado”, ele garante categoricamente.

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