Startups de hospedagem colaborativa movimentam mercado pet

O amor pelos animais fez Giane se tornar uma anfitriã - Crédito: Doghero
O amor pelos animais fez Giane se tornar uma anfitriã – Crédito: DogHero

Nova economia conecta donos de cachorros a anfitriões dispostos a cuidar dos animais.

Por Kátia Fantin
Jornalismo Econômico/Noite

Recorrer a amigos e família por não ter onde deixar o pet na hora de um imprevisto geralmente é a alternativa quebra galho. Outra alternativa é usar os serviços dos hotéis especializados para cachorros. Apesar da praticidade, os pernoites podem pesar no bolso.

Pensando em atender diversos nichos é que novas ideias de empreendedorismo surgem.Em meio a uma economia compartilhada, um grande projeto que facilita a vida de muitas pessoas que possuem pets de estimação surgiu junto a novos modelos de negócio. Tudo começou quando jovens sonhadores decidiram colocar em prática o projeto de hospedar os pets em casas de pessoas que realmente gostam de animais e não se frustram em dar atenção e carinho. Assim nasceu uma nova solução que acabou se tornando um grande negócio.

O projeto deu tão certo que atualmente só cresce no país. Uma plataforma digital que conta com cinco mil anfitriões cadastrados no Brasil e está disponível em 400 cidades brasileiras. Na grande Porto Alegre já existem 250 anfitriões presentes na plataforma. Segundo dados dos últimos três meses já foram realizadas 40 mil noites de hospedagem em todo Brasil.

Pensando em novos recursos para cuidar de pets é que foi lançado o site DogHero, oferecendo opções de hospedagem de valor mais acessível. O projeto saiu do papel em novembro de 2014 pelo publicitário Eduardo Baer, 32 anos, e pelo engenheiro

Fernando Gadotti, 31. A ideia da criação da plataforma surgiu quando se conheceram em um curso de MBA na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Após um tempo,  quando retornaram ao Brasil, começaram a desenvolver em São Paulo o projeto pensando em oferecer um serviço diferenciado e único no Brasil.

Com isso surgiu a criação de uma plataforma de hospedagem para cães, visando a necessidade que eles próprios enfrentavam quando tinham que deixar seus pets nos tradicionais serviços de alto custo.“Não havia nenhuma empresa forte nesse sentido no Brasil. Ela surgiu quando eu e minha mulher decidimos ter um cachorro. Nós viajamos muito e nem sempre seria possível levá-lo nas viagens. Conversando com alguns amigos percebi que eles sempre se deparavam com o mesmo problema. Quando viajavam eles não queriam deixar seus cachorros em canis nem em hotéis pets porque tinham receio de eles não serem bem tratados”, conta Eduardo Baer, sócio fundador da empresa.

Hospedagem pet cresce e ganha destaque

A porto alegrense Giane Schmaedecke trabalha como psicóloga em dois empregos: um da área social e outro de economia colaborativa. Mesmo assim, aderiu à ideia de receber um orçamento extra com o que ama: cuidar dos animais. E o melhor, em sua própria casa. Desde janeiro desse ano, abriu as portas de seu apartamento para os hóspedes caninos. Como uma boa amante de bichinhos de estimação, já teve mais de 10 hóspedes. “Eu amo animais e como diz em meu perfil no site, precisei e adorei a ideia de deixar meu animalzinho em um ambiente limpo, livre e aconchegante onde ele pode comer bem, brincar e dormir em local limpo. A flexibilidade pelo horário e proximidade também contaram na escolha, pois procurei outros, mas como a DogHero não achei”, conta Giane.

A anfitriã ainda destaca que no mês de agosto aumentou de R$35 para 50 reais por cada hospedagem como uma forma de reduzir os pedidos que eram muitos, inclusive rejeitando algumas ofertas. “Mesmo com o aumento do valor, a procura pelo serviço não reduziu. O que comprova que as qualificações são importantes e o valor cobrado é secundário para os clientes”, explicou a anfitriã.

Com os lucros recebidos ela paga as despesas de seu cachorro, investe em acessórios para melhoria de suas hospedagens e ainda viaja para muitos lugares que antes as condições não permitiam.

Renda dos sonhos

Para colocar em prática a plataforma, os proprietários estabeleceram pilares que sustentem a ideia de inovação e diferencial. Assim, partiram do pressuposto que o site serve para conectar donos de animais a anfitriões dispostos a cuidar dos bichinhos, oferecer solução segura e barata, além de gerar renda e crescimento financeiro.

Um novo mercado de oportunidades também se abriu para Clarice Neutzling, mais conhecida como Clá, formada em arquitetura e urbanismo desde 2015. Clá se tornou uma anfitriã na época em que ainda fazia faculdade, quando saiu da cidade de Pelotas e veio morar em Porto Alegre em busca de melhores oportunidades de emprego em sua área. Ela conta que estava difícil ficar longe de sua família e de seu pet Dachshund de cinco anos, quando através do Facebook viu uma publicação da DogHero sobre se tornar anfitrião. “Decidi ver como funcionava e da noite para o dia comecei a hospedar cachorros e perceber que amo fazer isso”, comentou.

Atualmente a anfitriã se considera uma empreendedora, além de trabalhar como freelancer de modelo 3D na capital gaúcha. Não satisfeita e com planos de compartilhar seu amor pelos animais criou o Blog “Sobre Casa de Perro”, onde Clá conta sobre sua vida e experiências como anfitriã de cães.

Blog Sobre Casa de Perro - Crédito: Clá Neutzling
Blog Sobre Casa de Perro – Crédito: Clá Neutzling

O site DogHero oferece todos os passos para se tornar um anfitrião. No entanto, o primeiro critério para passar por todo o processo é amar os animais. Na plataforma o interessado elabora um perfil através de fotos com seus animais e uma descrição sobre sua experiência com eles, além de informações como localização, tipo de propriedade (casa ou apartamento), veículo para emergência, presença de outros animais e existência de área externa. O processo é encaminhado para análise de aprovação, com o cadastramento no site. Depois a equipe entra em contato e entrevista o candidato através da consulta dos perfis virtuais e a conferência de antecedentes criminais.

Segundo Fernando, apenas 20% dos candidatos são aprovados para serem anfitriões. “Procuramos pessoas que amem os animais, que tenham capacidade para cuidar deles sendo responsáveis em cada critério citado no perfil, pois é o nome da empresa que está lá”, explicou ele.

O dono do cachorro escolhe um anfitrião através da listagem que o site proporciona, entra em contato com o que mais lhe agrada e combina os detalhes da hospedagem. O preço da estadia é estipulado por cada anfitrião, sendo que a média das diárias varia entre 40 e 80 reais. Isso significa que uma pessoa que recebe um cachorro 15 dias por mês pode contar com uma renda extra de 900 reais. O aumento acontece conforme o anfitrião percebe que é bem cotado pelos clientes, criando seu portfólio e aumentando seus ganhos.

Novas tendências de mercado geram planos futuros

A ideia desse novo empreendimento deu tão certo que atualmente ambos os proprietários trabalham apenas com a DogHero. O investimento inicial foi de R$ 500 mil. Hoje eles contam com orgulho que o negócio cresceu cerca de 30% ao mês em média nos últimos 12 meses e os projetos ainda são maiores para o futuro. “Atualmente nós trabalhamos somente com a DogHero, tendo o retorno de 25% do valor de cada hospedagem. A demanda é grande, já crescemos mais em relação ao ano passado inteiro. Hoje somos o maior serviço de hospedagem de pets do Brasil”, diz Eduardo. No Brasil, já existem outros empreendedores investindo nessa nova tendência de mercado.

Segundo os últimos dados de pesquisa de 2015 da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil ocupa a terceira posição no mercado pet global, atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido representando, respectivamente, 42% e 6,7% do segmento.

Gráfico 1

Gráfico 2

Dividir bens e serviços através da internet e fomentar o empreendimento e a inovação são umas das maiores tendências mundiais através da economia compartilhada, que já possui importante espaço em nosso país. De acordo com o relatório Economia Compartilhada na América Latina, realizado pela escola de negócios IE Business School em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ministério da Economia e Competitividade Espanhol, o Brasil é líder latino-americano em iniciativas de economia colaborativa e compartilhada.

Nos últimos anos, esse comportamento vem ganhando espaço e fazendo com que o dia a dia das pessoas se torne mais prático e econômico. Seguindo nessa linha, a empresa brasileira DogHero está transformando o amor de pessoas que gostam de cachorros em uma fonte de renda e emprego para muitos amantes de pets.

Tranquilidade para o cliente

Para evitar que o dono do cachorro fique preocupado e aflito durante sua estádia fora, o anfitrião do cachorro hospedado com a DogHero tem a responsabilidade de acompanhar a rotina do animal por meio de fotos e vídeos que são enviados pela própria plataforma. “Vantagens como a proximidade com minha casa, a disponibilidade de tempo, a boa avaliação e saber que possui pátio foi o que me atraiu na escolha de uma das anfitriãs”, destaca a Coordenadora e professora de Especialização em Comunicação Empresarial da UniRitter, Daniela Horta.

Daniela considera o projeto inovador e o compreende como uma inovação incremental. “Não conhecia esse tipo de serviço aqui em Porto Alegre, apenas as hospedagem em pets”, completou. A plataforma, além de oferecer um serviço de valor acessível, também oferece uma garantia de cinco mil reais para emergências veterinárias, caso ocorra algum acidente durante o tempo de hospedagem, apoio 24 horas ao anfitrião através de contato por telefone ou e–mail, qualidade garantida através das avaliações dadas aos anfitriões por outros clientes, além de outras medidas de segurança.

Um dos planos futuros para a empresa é a criação da startup no exterior, com a ideia de internacionalizar a DogHero e ampliar o mercado, além de acrescentar outros animais no serviço de hospedagem. Através de novos projetos como esse é que a economia compartilhada virou tendência e vem ganhando força no Brasil.

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