O Agronegócio e a Agricultura Familiar

Autoridades discursam na tribuna de honra na 37ª Expointer. Crédito: Leandro Cougo
Autoridades discursam na tribuna de honra na 37ª Expointer. Crédito: Leandro Cougo

Por Daniela Fragomeni
Jornalismo Econômico / Manhã

Nos discursos de abertura da 37ª Expointer– Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários, que ocorreu em Esteio (RS) entre os dias 30 de agosto e 07 de setembro de 2014, setores do agronegócio gaúcho se manifestaram sobre uma possível unificação entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, afirmou em seu discurso na abertura oficial da Expointer 2014 que a agricultura familiar também faz parte do agronegócio e que a instituição considera fora de foco uma discussão entre agricultura familiar versus agronegócio empresarial.

Sperotto disse que a Farsul entregou carta de intenções aos presidenciáveis com a sugestão de unificação das pastas. Ao final do discurso marcou a firme posição do setor. “Fica uma sugestão aos futuros governantes de que se modifiquem os ministérios e secretarias para nós termos uma voz única trabalhando no sentido de um agronegócio, nós queremos um ministério que tenha todo esse peso e pujança”, finalizou o presidente da entidade.

A defesa da agricultura familiar veio a seguir com o pronunciamento do presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag), Carlos Joel da Silva.  O dirigente ressaltou que a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou 2014 o ano internacional da Agricultura Familiar.

Segundo Silva, estudos mostraram que 70% dos alimentos que vão à mesa dos cidadãos brasileiros são produzidos pela agricultura familiar e atribuiu o crescimento do setor aos programas governamentais de apoio.

“A agricultura familiar está inserida em todos os processos produtivos do estado. No grão e na carne. Ela também gera riquezas, também compra máquina e implementos. Também estamos investindo forte na pecuária familiar, melhorando genética. Chegamos a isso pelos diversos programas que construímos com os governos do estado e  federal”, defendeu Silva.

A posição contrária à unificação dos ministérios foi marcada no final do discurso. “Por fim, queremos dizer que a Fetag, ao contrário do Sperotto, quer manter o nosso Ministério do Desenvolvimento Agrário. A nossa agricultura familiar melhorou e hoje nós podemos dizer que ela está na boca de todo mundo porque nós tivemos um ministério para cuidar de nós, e quando a gente tem um ministério que só cuida de nós fica melhor da gente negociar e trabalhar”, defendeu Silva.

A questão da terra não foi enfatizada no discurso do dirigente da Farsul. Já o presidente da Fetag lembrou que desde 2009 não foram feitos mais assentamentos do Rio Grade do Sul. A Fetag defende que a futura produção de alimentos depende da permanência dos jovens no campo, e para isso é necessário mais terras e educação especializada para os jovens do campo.

Origem do MDA

A pasta da Agricultura foi separa no primeiro governo do então presidente Lula.  O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é responsável pela gestão das políticas públicas de estímulo à agropecuária, pelo fomento do agronegócio e pela regulação e normatização de serviços vinculados ao setor. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (, MDA) trata dos temas da reforma agrária e promoção do desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído pelos agricultores familiares, além da identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos.  E também da regularização fundiária na Amazônia Legal.

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