Suco de uva de agroindústria familiar conquista o Brasil

Suco de uva da agroindústria familiar conquista o Brasil. Crédito: Gicele Kreibich
Antenor e Eunira Carraro exibem prêmios. Crédito: Gicele Kreibich

Por Gicele Kreibich
Jornalismo Econômico / Manhã

É da pequena cidade de Monte Alegre dos Campos, localizada no Nordeste do Rio Grande do Sul, que vem o melhor suco de uva integral, escolhido no concurso Sabor Gaúcho, durante a 37ª Expointer. São 10 anos consecutivos participando do evento, com os sucos, doces e geleias produzidas pela família Carraro, que se orgulha da profissão que vem de berço e é passada de geração em geração.

Nascida no campo, Eunira Carraro, 61 anos, sempre trabalhou com a agroindústria e destaca seu amor por esse trabalho: “Não troco a agricultura por profissão nenhuma no mundo”. Sendo assim, passou esse amor para os três filhos que hoje não só ajudam, mas se engajam tanto quanto os pais para que os negócios da família prosperem e cresçam cada dia mais.

Com experiência no assunto Expointer, a diferença nos lucros ao participar da feira realmente foi vista quando seu estande foi identificado com o adesivo de produto orgânico. “O pessoal procura por produto sem veneno, e com o adesivo ficou mais fácil de nos acharem”, comemora Eunira. Neste ano, a venda total foi de R$ 14 mil, quase o dobro obtido na exposição de 2013 (R$ 7,5 mil).

Os Carraro, que adquiriram nesse ano um pavilhão de 500 m² na cidade onde vivem, não se movem apenas pelo lucro. A excelência do produto final é o objetivo na hora de aperfeiçoar sua produção. “A gente vai procurar manter a qualidade, no que for preciso para que o nosso consumidor final fique satisfeito com o nosso produto”, destaca Eunira, com orgulho de ter seus sucos e geleias feitos de modo artesanal e com a qualidade que deseja.

Filhos da agroindústria

Hoje, os filhos de Eunira e Antenor Carraro não pensam em seguir outra profissão. Os pais orgulhosos contam a história da filha, Charlene Carraro, 36 anos. Assim como muitos estudantes do interior, Charlene usava mais de um meio de transporte para chegar a Universidade de Caxias do Sul, onde se formou como Administradora de Empresas.

“Ela ia uma parte de bicicleta e depois pegava um ônibus, e às vezes não podia nem trocar o calçado. Ficava toda empoeirada”, relembra a mãe com o brilho no olhar, mostrando o orgulho de contar a história de sua filha do meio.

“As colegas dela ficavam rindo porque ela era do interior, e as outras todas da cidade, mas a Charlene foi a única a fazer estágio na empresa da própria família”, relembra a matriarca. Agora, formada, Charlene consegue ajudar muito mais seus pais, fazendo o trabalho administrativo na Agroindústria Carraro.

Família que cresce unida

Com o aperfeiçoamento de todos os integrantes da família, e os investimentos em estudos, a expansão dos negócios cresce gradualmente, com o devido cuidado para que a qualidade tão prezada pela família seja mantida.

O que começou como uma produção de hortifrutigranjeiros agroecológicos já conquistou até o Norte e o Nordeste do país. O comércio já chegou aos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Ceará, Sergipe e mais recentemente no estado do Rio Grande do Norte.

Para atender tantos estados, o número de pessoas também teve que aumentar, sendo assim, a contratação de empregados foi necessária, tendo hoje mais de 15 pessoas envolvidas nos processos, desde o início do plantio da uva e dos demais frutos utilizados, até a distribuição para os pequenos lojistas. “Em todos os processos tem alguém da família comandando os empregados, a gente está envolvido em tudo, do início ao fim”, conta Eunira, que acompanha o setor de colheita.

Sua filha Charlene, a Administradora, começou com um depósito em Vacaria (RS). “Achava que ia dar conta sozinha. Hoje já está com três funcionários e não estão dando conta”, relata Eunira que enfatiza que o crescimento tem que ser feito com cuidado.

“A gente tem que ter firmeza no que faz. Tem que ver primeiro, estudar e ver se dá pra aumentar esse ano ou ano que vem”, responde Eunira quando questionada se sua família pretende aumentar a produção. E com certeza vai.

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