Setor de máquinas agrícolas apostou em inovações na 37ª Expointer

O setor de máquinas agrícolas investe em tecnologia para garantir um ano equilibrado em relação às vendas recordes em 2013. Crédito: Luiz H. Soares
O setor de máquinas agrícolas investe em tecnologia para garantir um ano equilibrado em relação às vendas recordes em 2013. Crédito: Luiz H. Soares

Após um cenário promissor no mercado de máquinas agrícolas no país em 2013, com a venda interna recorde de 83.078 mil unidades e arrecadação total de US$ 3,5 bilhões em exportações, o setor apostou em inovações na 37° Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer) para tentar manter em alta o desempenho do setor.

Por Luiz H. Kersck Soares
Jornalismo Econômico / Noite

A 37° edição de uma das maiores feiras de agronegócio da América Latina, a Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer), trouxe uma série de novidades e lançamentos em diversas áreas da produção agropecuária.

No setor de máquinas agrícolas, o que se destacou foi a busca por inovar na tecnologia dos equipamentos para atrair o produtor e aquecer o mercado interno a partir das vendas. “Sabemos que esse ano é complicado, tem sido difícil fazer projeções econômicos em virtude da Copa do Mundo, da mudança das taxas de financiamento e das eleições presidenciais, sobretudo. Mas queríamos no mínimo atingir uma meta maior que a venda na Expointer em 2013, de R$ 33 milhões”, explicou o especialista de marketing de produtos da empresa gaúcha Stara, Rafael Magni.

O valor de negociações no setor de máquinas na 37° edição da Expointer registrou um recuo de 17% em relação à feira do último ano. A recente edição da feira terminou com um total de R$ 2,7 bilhões nas vendas de equipamentos, contra R$ 3,2 bilhões em 2013. O recuo reflete o mercado do setor no país, que busca manter-se equilibrado após as vendas recordes do ano passado.

Em 2013, o mercado de máquinas agrícolas registrou a venda interna de 83.078 unidades e arrecadação de US$ 3,5 bilhões em exportações de equipamentos agrícolas para o mundo todo. O cenário foi o melhor desde 1976, quando 80,1 mil unidades foram negociadas no atacado dentro do país.

O presidente do Sindicato das Indústrias e Máquinas Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier, em nota, afirmou que a taxa de juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) reduzido a 2,5% e a excelente safra em 2013 foram os principais responsáveis pelas vendas recordes na 36° edição da feira; porém destaca que o setor está satisfeito com os resultados obtidos este ano, pois “2013 foi atípico, teve uma série de fatores que facilitaram a antecipação de negócios. Mas estamos satisfeitos, pois, em relação a 2012, a Expointer de 2014 apresentou um aumento de 34% nos negócios. Um crescimento favorável, já que alguns setores econômicos estão em crise”, explicou Bier.

Durante os nove dias de evento, entre 30 de agosto e 7 de setembro, mais de 450 mil pessoas visitaram o Parque de Exposições Assis Brasil, na cidade de Esteio-RS, para prestigiar a feira.

Atração à parte, área de máquinas agrícolas chamou a atenção de centenas de visitantes. Crédito: Luiz H. Soares
Atração à parte, área de máquinas agrícolas chamou a atenção de centenas de visitantes. Crédito: Luiz H. Soares

Queda começou no primeiro semestre

Novas tecnologias para o aumento da produtividade na lavoura, para o pequeno, médio e grande produtor, e taxas de financiamento que vão de 4,5 a 6% ao ano foram os trunfos do mercado de máquinas agrícolas para tentar manter o equilíbrio das vendas no primeiro e início do segundo semestre de 2014. No entanto, Segundo relatórios da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), houve uma queda superior a 8 mil unidades nas vendas de maquinários agrícolas no Brasil em relação a janeiro e junho do ano passado.

Empresas gaúchas marcaram a Expointer 2014

Na 37ª Expointer, a Stara lançou uma carreta agrícola com a maior capacidade de tratamentos de grãos da categoria, que é capaz de suportar 12 mil litros e dois tipos de sementes para receber produtos químicos, inoculantes e grafite. Quando procurada após a exposição, a empresa preferiu não divulgar o valor final de negociações em Esteio (RS).

Outra empresa gaúcha que também apostou na inovação foi a Agrale, de Caxias do Sul, que apresentou ao público o trator 5105, da linha 500, e o 565 Compact, ambos com a promessa de alta produtividade no rendimento do trabalho no campo e condições facilitadas de financiamento.

Mecânico de veículos, o sapucaiense Mathias Rodrigues, de 47 anos, afirma que os lançamentos da feira chamaram sua atenção. “Gosto de prestigiar as novas tecnologias. Apesar de lidar com carros populares na oficina, gosto de apreciar esses equipamentos e imaginar seu desempenho no campo”, disse Rodrigues, durante a feira, enquanto observava uma das maiores colheitadeiras do local.

A Agrale foi citada pela presidenta Dilma Rousseff na solenidade de abertura da Expointer 2014, no dia 5 de setembro, pois é a primeira empresa no Brasil a exportar máquinas agrícolas a partir do projeto “Mais alimentos Internacional”. Serão fornecidos para o Zimbábue, na África, 320 tratores de médio porte de 75cv do modelo 575.4.

Em nota, o diretor de vendas da Agrale, Flavio Crosa, afirma que “este é um dos mais importantes contratos de exportação da empresa, tanto pelo volume fornecido quanto por ser o primeiro acordo utilizando o programa Mais Alimentos Internacional”. Atualmente, cinco países têm acordo de cooperação firmado com o Brasil: Zimbábue, Moçambique, Senegal, Gana e Cuba.

O programa “Mais Alimentos Internacional” é oriundo do programa “Mais Alimentos”, que foi desenvolvido em 2008 pelo Governo Federal, com a promessa de facilitar a compra de equipamentos agrícolas para agricultores familiares, a partir de taxas de juros de financiamento que vão de 0,5 a 2% ao ano. Com até dez anos para pagar.

 

 

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