Superando a crise com empreendedorismo

Andréia Homer
Andréia Homer, aos 44 anos, mudou de vida ao abrir o próprio negócio- Foto: Divulgação

Conheça a história de gaúchos que conseguiram fazer do limão a melhor limonada, ou neste caso, o melhor doce.

Por Bárbara Scussel
Jornalismo Econômico / Noite

Em tempos de crise financeira e num cenário onde mais de 110 mil vagas de emprego foram fechadas, só no primeiro semestre deste ano, segundo a pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego, surgem cada vez mais brasileiros com vontade de serem donos de seus narizes e não terem mais um chefe. Seja por uma surpreendente demissão, na maioria das vezes justificada pelas empresas como medida de contenção de custos, ou simplesmente pela dificuldade em quitar no fim do mês os gastos básicos como a conta de luz e água, muitos cidadãos encontraram em negócios próprios a satisfação profissional e uma alternativa para contornar os tempos difíceis.

Uma coisa é certa: mais da metade da população do Brasil gostaria de ser o chefe de alguém. Conforme um estudo realizado pela Endeavor, em 2014, com mais de 4 mil pessoas, 61% dos entrevistados declaram ter planos para abrir o próprio negócio nos próximos cinco anos.

Gustavo Delfino e Andreia Holmer são gaúchos que realizaram este sonho. Ele começou o negócio próprio há pouco mais de um mês. Ela a cerca de um de um ano sobrevive do trabalho de sua microempresa. O que eles têm em comum? Além do amor pela confeitaria, ambos, no auge da maior crise financeira enfrentada pelo Rio Grande do Sul, conseguem diariamente superar os desafios de ser um microempreendedor.

Demissão como oportunidade

Dia 1º de junho de 2015 é um dia marcante pra Gustavo Delfino. Ser demitido da empresa que já trabalhava há quatro anos pode ter sido triste no primeiro impacto, mas foi o começo para a realização de um antigo sonho. Casado e pai de dois filhos, não pôde se abater pela demissão inesperada e decidiu dar um novo rumo para carreira profissional.

“Sempre tive o sonho de ter meu próprio negócio. Eu só não sabia o que fazer. Já pensei até vender marmita! Naquele momento eu sabia: ou eu entrava no mercado de trabalho de novo, do zero, ou abria o meu negócio. Eu escolhi a segunda opção”, disse ele que viu outros quatro colegas serem demitidos no mesmo setor em que trabalhava.

Parece mesmo que Gustavo fez a melhor escolha. Diante de um mercado de trabalho saturado e que pela primeira vez em 13 anos mais demitiu do que contratou, ele investiu o dinheiro do Fundo de Garantia (FGTS) em materiais para começar a venda de doces, salgados e bolos.

Sem experiência no ramo, mas com vontade de sobra pra ser o próprio chefe, viu na internet e no “Senhor Google” um aliado para aprender tudo o que precisava pra dar o ponta pé inicial na “Happy Doces & Salgados”.

Com uma mãozinha da esposa Paula Krug, que é formada em administração, a microempresa criada por Gustavo sobrevive às dificuldades impostas pela atual crise econômica brasileira há mais de um mês. E mais uma vez a internet tem sido fundamental para o crescimento do empreendimento.

“Conquistamos o público principalmente pela internet. O Facebook já deu um retorno incrível. Os amigos divulgam a página e outras pessoas entram em contato para perguntar os nossos preços e sabores”, conta Gustavo animado já planejando melhorias na cozinha de casa para atender com mais conforto sua clientela.

“Eu tenho que fazer o melhor porque o negócio é meu! Eu dou o meu máximo sempre e agora, apesar de estar em casa, tenho trabalhando mais ainda. A responsabilidade aumentou muito.”

Permitindo-se sonhar depois de viver um período intenso de muito trabalho para atender a todas as suas encomendas, o jovem almeja um grande futuro para a empresa. “Quem sabe no futuro eu não tenha minha própria padaria? Mas de imediato, se o negócio realmente der certo, pretendo alugar um espaço comercial”, idealiza o rapaz de 25 anos.

Ousadia de mudar

Há cerca de um ano Andreia Holmer, de 44 anos, teve a enorme coragem de mudar de vida. Largou o emprego formal em uma loja de roupas e decidiu tocar em frente um projeto que no íntimo já guardava há muito tempo. Sempre gostou de encantar os familiares com seus bolos de encher os olhos. Agora, o que até então era um hobby de final de semana é levado a sério por ela que vende bolos, cupcakes e brownies por toda a cidade.

No princípio as coisas não foram fáceis. Andreia conta que precisou ter o famoso “carão” pra bater em muitas portas oferecendo seus produtos.

“Tu ficas em casa e se pergunta: E agora? Pra quem eu vou vender? No início coloquei a cara na rua e batia na porta de salões de beleza e lojas. Tinha vezes que eu estava em um lugar fazendo compra e acabava oferecendo meu produto. Tu vais divulgando e no fim as pessoas acabam pedindo pra ti voltar”, relembra ela que faz valer a máxima de que “comemos pelos olhos”, e publica diariamente fotos de seus doces nas redes sociais.

A atual crise econômica, que tem prejudicado muito as grandes empresas, respingou também nos pequenos negócios. Porém nada que preocupe Andreia que admite que as vendas caíram nos últimos meses.

“Houve uma pequena mudança no hábito do consumidor. Antes as pessoas compravam doces para a família inteira. Agora compram apenas pra si. Eu me preparei pra crise. Tenho um caixinha porque assim como numa semana posso vender muito na outra posso vender menos”, ensina.

E é exatamente essa ideia de futuro que fez com que Andreia tenha prosperado tanto em tão pouco tempo. Em 2016, quando acredita que a economia estará mais equilibrada, a empreendedora pensa em expandir os negócios. O principal objetivo de Andreia é abrir uma cafeteria e de quebra empregar os filhos e o marido na nova empreitada.

“Eu estou trabalhando muito pra isso. Eu não tenho sábado, domingo, feriado e noite. Trabalho muitas vezes até de madrugada, pois quero atingir esse objetivo”, diz Andreia determinada e sonhando em crescer com uma empresa totalmente familiar.

 

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